Swift

Precisamos falar sobre a esteriotipação das moças na história.

 
 
A loba, a bruxa, a esposa submissa e a mãe manipuladora. Qualquer um que demonstre um interesse um pouco maior sobre o período da Guerra das Rosas se depara com esses estereótipos. Não apenas nesse período em especial: em toda história, frases prontas e personalidades que mais se parecem com personagens de Game of Thrones do que pessoas de verdade, saltam a nossos olhos. E discursos também. Vasculhando um grupo de história inglesa um dia desses li ideias absurdas sobre mulheres que tiveram um papel importantíssimo na constituição de um Estado menos machista, recitadas por homens que se limitam a reproduzir o discursos como o de que a primeira rainha inglesa, Maria I, fora uma péssima tirana, que Elizabeth deveria ter se casado para gerar herdeiros e não deixar a coroa inglesa cair na mãos do homossexual (o gênero sempre sendo enfatizado por esses rapazes, como se pejorativo) Jaime I. Vale dizer que sua mãe, Maria dos Escoceses era uma descabeçada que perdeu três coroas na mão da mulher cujo o filme Elizabeth e a Era de Ouro retrata como uma "mal amada": afinal, se sua prima era depravada e tola por ter escolhido os seus maridos, Elizabeth era uma solteirona chata, que implicava com os sentimentos amorosos das damas de companhia. Dá pra entender? 
Como se não bastasse a eterna e desnecessária romantização das esposas de Henrique VIII, "será que Ana Bolena realmente amou Henrique?" E se não amou? E se ela apenas o utilizou para ascender socialmente, não era isso que os homens faziam ao selecionarem as "melhores" esposas possíveis? Não tem problema nenhum. Isso não faz dela uma personalidade ruim. 
Precisamos parar. 
Uma coisa é observar um período com os olhos da época, outra é julgar de acordo com a visão retrógrada de anos atrás. Estude, observe como um cidadão de seja lá o período o qual analisa, mas não as julgue como. 
É preciso analisar a história mais como o desenrolar vida de pessoas de verdade (que o foram) e menos como uma série de TV. É preciso ver Margaret de Anjou menos como uma loba retrógrada e sem escrúpulos e mais como uma mãe e mulher que ousou a orquestrar batalhas contra homens poderosíssimos, Elizabeth Woodville menos como uma bruxa manipuladora e mais como uma mulher que conseguiu ascender sua família e ser levada em consideração num mundo onde as esposas não tinham voz frente aos maridos,  Katherine Howard que ousou fazer algo que os homens faziam a todo momento (e até hoje nunca vi serem julgados por isso): amar. Ou que seja apenas manter relações sexuais com um homem de sua idade, fugindo de seu relacionamento abusivo, independente dos seus objetivos ou sentimentos, isso não lhe dá direito de julga-la, afinal, você nem a conheceu. 
Recado principalmente pros rapazes: chega. De estereotipar e disseminar ódio por personalidades femininas que ousaram ter tanto poder quanto os homens. Se você é um, preste bem atenção: está proibido de sair falando de Maria Sanguinária ou Loba da França. 
Deixa as nossas minas.


You Might Also Like

0 comentários

Flickr Images